A inserção externa da indústria brasileira e catarinense entre 1994 e 2017

  • Hermano Caixeta Universidade Federal do Piauí
  • Leonel Toshio Clemente Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: Estruturalismo, Crescimento, Desenvolvimento, Inserção Externa

Resumo

Na tradição estruturalista latino-americana o desenvolvimento econômico deve ser fruto do avanço da estrutura produtiva e tecnológica dos países periféricos, permitindo melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. À luz da teoria estruturalista cepalina, o trabalho analisa a trajetória da indústria brasileira e catarinense a partir dos resultados do saldo comercial das manufaturas classificadas conforme seu coeficiente tecnológico nas décadas de 1990 e 2020. O objetivo é apontar0 setores tecnológicos que apresentam alguma capacidade de concorrer pelo mercado mundial de produtos manufaturados. Os resultados apontam que, apesar do processo de desindustrialização da economia brasileira, o crescimento econômico no Brasil e no Estado de Santa Catarina foram acompanhados de uma melhoria na inserção internacional industrial até a primeira metade dos anos 2000, especialmente no setor de média intensidade tecnológica. Fora os momentos de recessão econômica, entre 2015 e 2017, os resultados dos saldos comerciais de manufaturas mostram um déficit crescente, nas mais intensas em tecnologia. Os resultados apontam que, apesar da dificuldade estrutural, alguns setores de média intensidade tecnológica se mostraram competitivos, em um período específico da história recente do país

Referências

BIELSCHOWSKY, R. Cinquenta anos do pensamento na CEPAL – Uma resenha. In: BIELSCHOWSKY, R. (org.) Cinquenta anos do pensamento na CEPAL. Vol. 1, Rio de Janeiro: Record. 2000.

BLANKENBURG, S.; PALMA, J. G.; TREGENNA, F. Structuralism. The New Palgrave Dictionary of Economics. Second Edition. Edited by. Steven N. Durlauf and Lawrence E. Blume. Palgrave Macmillan, 2008. The New Palgrave Dictionary of Economics Online. 2010.

BRESSER-PEREIRA, L. C. Teoria novo-desenvolvimentista: uma síntese. Cadernos do Desenvolvimento, Rio de Janeiro, v. 11, n. 19, pp.145-165, jul.-dez. 2016.

COMISSÃO ECONÔMICA PARA AMÉRICA LATINA E CARIBE - CEPAL. Políticas de ajuste e renegociação da dívida externa na américa latina. In: Cuadernos de la Cepal. N° 48. Nações Unidas, n° de venda: S.84.II.G .18. Santiago do Chile, dezembro de 1985.

COMISSÃO ECONÔMICA PARA AMÉRICA LATINA E CARIBE - CEPAL. Transformación productiva con equidad. Série Libros de la Cepal, n° 25 (LC/G.1601-P.). Santiago do Chile, março. Publicação das Nações Unidas, n° de venda: S.90.II.G.6. 1990

CIMOLI, M; PORCILE, G. Learning, technological capabilities, and structural dynamics. In: OCAMPO, J; ROS, J (eds.). The Oxford Handbook of Latin American Economics. Oxford: Oxford University Press, 2011.

CIMOLI, M; PORCILE, G. Tecnología, heterogeneidad y crecimiento: un caja de herramientas estructuralista. Serie Desarrollo Productivo N° 194. Cepal, Set. 2013.

CIMOLI, M; PORCILE, G. Technology, structural change and BOP-constrained growth: a structuralist toolbox. Cambridge Economic Journal, v. 38, p. 215-237, 2014.

DOSI, G. Sources, Procedures, and microeconomic effects of innovation. Journal of Economic Literature, 26(3):1120-1171, 1988.

DOSI, G. Technological paradigms and technological trajectories. Revista Brasileira de Inovação, 5 (1): 17-32. 2008.

IBRAHIM, H. C. Políticas econômicas e as estratégias desenvolvimentistas no Século XXI. 2019. 426f. Tese (Doutorado em Economia) – Programa de Pós-graduação em Economia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2019.

KALDOR, N. Marginal productivity and the macroeconomic theories of distribution: comment on Samuelson and Modigliani, The Review of Economics Estudies, vol (33) pp. 309-19. 1966

LAMONICA, M. T.; FEIJÓ, C. A. Crescimento e industrialização no Brasil: uma interpretação à luz das propostas de Kaldor. Revista de Economia Política, vol. 31, nº 1 (121), pp. 118-138 janeiro-março. 2011.

MARCONI, N.; ROCHA, M. Taxa de câmbio, comércio exterior e desindustrialização precoce – o caso brasileiro. Economia e Sociedade, Campinas, v. 21, Número Especial, p. 853-888, dez. 2012.

MISSIO, F. J.; JAYME JR., F. G.; OREIRO, J. L. The structuralist tradition in economics: methodological and macroeconomics aspects. Revista de Economia Política, v. 34, p. 247-266, 2015.
OCAMPO, J. The quest for dynamic efficiency: structural dynamics and economic growth in developing countries. In: OCAMPO, J. (ed.). Beyond reforms: structural dynamics and macroeconomic vulnerability. Stanford University Press, 2005
OREIRO, J. L.; FEIJO, C. A. Desindustrialização: conceituação, causas, efeitos e o caso brasileiro. Revista de Economia Política. São Paulo, v. 30, n. 2, p. 219-232, June 2010
PEREIRA, W.; CARIO, S. A. F. Indústria, desenvolvimento econômico e desindustrialização: sistematizando o debate no Brasil. Economia e desenvolvimento, Santa Maria, v. 29, p. 587, 2017
PEREZ, C. Cambio Técnico, Restructuration competitiva y reforma institucional enlos Países enDesarollo. El Trimestre Económico, v.61, 1992.

PEREZ, C. Revoluciones tecnológicas y capital financiero: la dinámica de las grandes burbujas financieras y las épocas de bonanza. México: Siglo XXI, 2004

PEREZ, C. Technological revolutions and techno-economic paradigms. Cambridge Journal of Economics, Vol. 34, No.1, pp. 185-202. 2010.

PREBISCH, R. El desarrollo económico de América Latina y sus principales problemas (E/CN.12/89), Santiago do Chile, Cepal , 1949.

RODRIGUEZ, O. O estruturalismo latino-americano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

RIBEIRO, R.; MCCOMBIE, J.; LIMA, G. Does real exchange rate undervaluation really promote economic growth?. Structural Change and Economic Dynamics, Elsevier, vol. 52(C), pages 408-417 2020.

THIRLWALL, A. P. The balance of payments constraint as a explanation of international growth rate differences. Banca Nazionale del Lavoro Quarterly Review, 128, 1980.
Publicado
2021-09-11